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Retrato e Identidade “Quase um artista de cinema”.
A mostra é composta de retratos de figuras masculinas e femininas que remetem a pinups, artistas de cinema ou figuras públicas famosas.
Através do estereótipo a artista procura reforçar a relação entre o autor do retrato e o retratado, na qual a identidade é forjada pelo pintor.
A técnica utilizada (acrílico sobre bandejas de plástico) acentua ainda mais a característica de banalização e do estereótipo contidas na imagem final.
Os retratos foram feitos a partir de observação de modelos vivos e de fotografias reproduzidas em revistas e gravuras antigas.

APRESENTAÇÃO:
Numa era de intensa visibilidade no limite da obscenidade, os retratos da série “Quase um artista de cinema” expõem de forma crítica este desejo de super exposição e o desejo de se tornar uma celebridade num exército de anônimos.
Desprovidos de detalhes de finalização tradicional diante de pinturas acadêmicas, os retratos são feitos em bandejas de acrílico, acentuando as características descartáveis dos retratos desta série. Ao mesmo tempo, a técnica despojada de execução das pinturas, aproxima o espectador da obra num exercício de reflexão.
A atividade prática de retratos e auto-retratos será oferecida a alunos de escolas públicas (a partir de 10 anos) e visitantes de todas as idades, as oficinas podem ser um exercício de reflexão sobre esta necessidade de identificação com um personagem famoso e o reconhecimento e construção da sua própria identidade.

JUSTIFICATIVA:
O retrato estereotipado pretende apresentar a imagem representada como o desejo inconsciente de transformação e notoriedade. A imagem final representa o desejo íntimo de existir num universo de “personas” de ampla visibilidade, como construção do ego numa dimensão de espetacularização do ser humano.
Os blogs, flickr e outros sites de relacionamento mostram esta necessidade de “existir” num cenário de anonimato e invisibilidade.
Sobre o trabalho de retrato da artista, os textos abaixo foram elaborados por Oscar D´Ambrósio e Mário Fiore, respectivamente:
Dilema da identidade
Um dilema é um raciocínio que parte de premissas contraditórias que terminam por fundamentar uma mesma conclusão, que reúne elementos aparentemente irreconciliáveis. O trabalho da artista plástica leva esse raciocínio para a sua produção plástica a partir de uma reflexão com a identidade.
Ao pesquisar a tradição da criação de retratos, seja nos trabalhos em que colocou corações no lugar de rostos e nos que desmanchou faces com misteriosos véus, seu assunto é coerente e denso: pode a estética do retrato representar algo mais do que a personalidade do pintor?
Cada retrato, como aqueles em que áreas de cor se sobrepõem a partes do rosto, torna se uma reflexão sobre o conhecimento do ato de pintar e, acima de tudo, de sentir. O desafio de Alice está, em cada novo trabalho, verificar como a identidade de sua pintura se relaciona com a do retratado e com o exercício de pintar.
O que integra as obras de Alice é a maravilha de serem autênticas. Ela opta por satisfazer a um padrão de excelência que a acompanha. Os trabalhos que apresenta têm a convicção de que cada rosto, plasticamente desconstruído, com mais ou menos vigor, dependendo do caso, é um passo gradual, mas decisivo para o entendimento da pintura.
Retrato e Identidade
Bagagem Cultural. Logo demonstrou uma compreensão da pintura, das diferenças com o desenho, com as histórias em quadrinhos, com os gêneros pictóricos, com o aspecto ornamental da pintura. Foi feliz quando fechou o foco numa questão tão específica como a figura humana, como os retratos. Pensar a figura é pensar sobre a condição humana, sobre a sua identidade.
Ver e ao mesmo tempo, esconder. E nesse processo refletir sobra a pintura, sobre o pintar.
Observadora atenta das expressões humanas despoja os seus modelos de suas singularidades, de exatidões anatômicas para assim livrar o nosso olhar do imediato e do óbvio. A pintura é uma ilusão da aparência.

FICHA TÉCNICA:
Curador: Oscar D’Ambrosio
FORMAÇÃO
Mestre pelo Instituto de Artes da UNESP, pós-graduado em Literatura Dramática pela ECA USP, graduado em Comunicação e Jornalismo pela ECA USP e graduado em Letras pela Universidade Mackenzie. Integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA Seção Brasil).
PUBLICAÇÕES MAIS RECENTES
Contando a arte de (Editora Noovha América, SP):
Marcos de Oliveira, 2009
Elias dos Bonecos 2009
Sima Woiler, 2008
Cláudio Tozzi, de 2005
CURADORIAS MAIS RECENTES
Lilith de Ilka Lemos; realizada na Galeria Garcia Arte; São Paulo SP; 2009
“Se a pintura morreu, esqueceram de me avisar”; coletiva realizada Garcia Arte; São Paulo SP; 2009
“Poética Visual Pancontemporânea”; coletiva realizada na Tedesco Pizza Bar ; SP, 2009
“Olhares sobre o povo Kashinawá”, fotos de Daniel Patire, realizada no Okena Café ; Caraguatatuba SP; 2009
“Nos meus dias de glória, a platéia estava vazia”; fotos de Daniel Patire; realizada no Espaço Reserva Cultural, São Paulo SP; 2009
PARTICIPAÇÕES MAIS RECENTES COMO JURADO
4º Prêmio Espaço Cultural Banco Central de Arte; São Paulo SP; 2008
Grande Salão de Artes de Santa Bárbara do Oeste SP 2008
Universo da Aquarela “Reflexos e Transparências” Jornada 2008 SP; 2008
XII Salão Paulista de Arte Contemporânea, Casa das Rosas; São Paulo, SP ; 2008
XXII Salão de Artes Plásticas de Arceburgo MG 2008
Artista:Alice Nakagawa Matuck , 21/11/1982
Natural de São Paulo inicia sua pesquisa em retratos a partir de 2001. Após uma viagem para o Canadá/Toronto, elabora imagens que retratam experiências coletadas de ambientes sem identidade. Inicia um paralelo entre homem e identidade criando séries de personagens, usando a pintura e o retrato para ilustrá las. Seu trabalho é basicamente de pintura. Ao fazer uma série, começa pelos estudos das imagens detalhadas, para depois, desmanchá las, arrastando as formas, como o pincel mais seco, numa tentativa de desconstruir, para mostrar a diluição visual da identidade.
Em seu trabalho de conclusão de curso universitário de Artes Plásticas faz uma pesquisa inicial focada na questão da identidade e personalidade dos retratos que cria. Essa relação plástica é feita com a presença de véus, que cobre as modelos e faz com quem percam sua identidade, mas não apaguem o registro marcado na tela.
Esta última série apresentada no projeto, iniciou se em 2009.

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